Já tentei de diversas formas, pincelei de diversas cores e colori da cor que bem quis, fugindo de todo o estereótipo imposto: o amor nem sempre é vermelho. Ou rosa. Ou carmim. Não. Eu prefiro esse amor inventado à minha maneira, autêntico, roxo. Amor roxo, esse que me mora sempre que lembro da pequena, com sua fala gritada, com seu sorriso de criança e toda a esperança e inocência que mora nos olhos de jabuticaba que ela tem. Meu amor, também é vermelho, tão piegas quanto o mundo, mas é amor de pai e mãe. Meio vermelho para cada um, meio coração para cada um. Amor, igual.
Poderia pincelar o amor de laranja-cor-de-rosa, que é amor de irmão. Suave e fácil, como o respirar. Natural. Ou o amor preto, que já foi furta-cor, mas que hoje vive em luto — e não deixou de ser amor. Amor de avós, de amigo-irmão. O amor também me é cor de céu. Ora azul sem nuvens, ora com nuvens poucas e ora trovão, cinza escuro. Bem como céu de brigadeiro, com ou sem lua, presença ou não-presença, que são os amores de amigos. Amigos-irmãos, amigos-mais-que-irmãos e amigos-amigos. Esse também é bom, por ser sempre uma surpresa, uma cor indefinida que vive mudando de tom.
Pincelo também de prata, tudo aquilo que me faz bem. Sejam pessoas ou coisas, lugares ou comidas, hipérboles, por assim dizer. E tem o meu amor azul. Às vezes fraquinho quase branco, por outras forte quase noite. Às vezes estrelas, às vezes chuva. Mas amor, acima de tudo. Esse que se reflete em um olho meio verde, meio azul. Meio piscina. Que às vezes me tem por completo e pelo qual eu nunca saberei demonstrar à altura. É que o meu amor, é como o sol. Tem dias que vem, tem dias que não. Mas mesmo debaixo d’água, todo mundo sabe que ele existe.
Gérberas.
-
Os passos apressados era característica comum dela, andava a passos largos e
em sua mão carregava um guarda-chuva preto, tentava se esconder da fina
chuva ...
